Os trios hoje são gigantes, cheios de luxo e inovação. A maioria dos que desfilam na avenida, para fazer a festa de milhões de pessoas durante o Carnaval e as micaretas, preza cada vez mais pela tecnologia avançada e pelo design arrojado.
Já se foi o tempo em que trio era usado apenas como um veículo para transportar a banda e seus equipamentos durante o trajeto da festa. Há algumas décadas eles estão sendo aperfeiçoados, ficando maiores, sofisticados e mais caros. Carregam de alto-falante a chuveiro elétrico, para convidados dos artistas e chegam a custar milhões.
Para Aroldo Macedo, produtor e guitarrista da banda Armandinho, Dodô e Osmar que também é o coordenador de montagem do Fobicão, apesar da dimensão do Carnaval de Salvador, os novos trios estão tomando proporções gigantescas. “É preciso que as pessoas tomem consciência e revejam o tamanho dos trios elétricos. As cidades do interior quando contratam as bandas, só querem os maiores trios que, às vezes, nem cabem na cidade”, explica. “Daqui a pouco não vai ter nem como fazer a curva na pista ou montar”, brinca, lembrando dos tempos em que o trio elétrico era um antigo caminhão que saía do bairro Ribeira e seguia até o Campo Grande fazendo a folia dos integrantes pelo caminho.
Fobicão, réplica do primeiro Trio Elétrico do mundo, a Fobica (Foto: Felipe Oliveira)
Segundo Aroldo, o Fobicão, que é uma réplica do primeiro Trio Elétrico do mundo, a Fobica, cresceu para seguir a tendência e manter o trio sempre bonito na rua. “Nós temos uma história, uma tradição e somos os filhos de um dos criadores do primeiro trio elétrico.
Mas até onde vai a criatividade desses engenheiros? Conversamos com os responsáveis pelos trios das principais atrações do Carnaval baiano para saber como é feito esse veículo tão hipnotizante e que embala multidões.
Como faz
Grande parte dos trios elétricos dos artistas baianos, é feita por empresas terceirizadas que se baseiam em estruturas já montadas de outros veículos, como caminhões do mesmo porte, e demoram cerca de três meses para ficarem prontos. Nesse caso, se aproveita a base de outro trio e vai modelando ao projeto do artista até chegar no ponto final.
Grande parte dos trios elétricos dos artistas baianos, é feita por empresas terceirizadas que se baseiam em estruturas já montadas de outros veículos, como caminhões do mesmo porte, e demoram cerca de três meses para ficarem prontos. Nesse caso, se aproveita a base de outro trio e vai modelando ao projeto do artista até chegar no ponto final.
Já um trio que parte do zero, com novos conceitos, fica cerca de seis meses em construção. Um trio personalizado – de propriedade de uma banda – pode chegar a custar o dobro e demora mais tempo para ficar pronto, já que não há uma empresa especializada envolvida no processo. Esse é o caso do Tiranossauro Rex Sky Domme, trio exclusivo do Chiclete com Banana. De acordo com Paulo Alves, gerente do trio, o “Predador da Tristeza” como foi apelidado demorou cerca de um ano e meio para ficar pronto. “Faz. Desmancha, muda a planta e vai moldando até ficar no gosto do engenheiro e de Bell”, explica.
Além dos mecânicos, eletricistas, soldadores e designers, para fazer os cortes e a montagem, o trabalho de construção de um trio elétrico envolve profissionais como engenheiros que desenvolvem o projeto, a parte mecânica e hidráulica e, também, gerencia todos os processos. Para finalizar o projeto, é preciso ter profissionais de controle, qualidade e segurança envolvidos. Técnicos credenciados pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) que emitem a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), documento que autoriza uso do trio e alega as condições técnicas do veículo para que ele vá para as ruas sem oferecer riscos aos foliões.
Mas não basta estar bonito, potente e pronto. Para licenciar um trio ou carro de apoio, o proprietário ou a empresa responsável precisa passar pelo crivo de mais três órgãos técnicos: o Departamento de Polícia Técnica (DPT), o Corpo de Bombeiros, e o Departamento Estadual de Trânsito (Detran). A partir daí há liberação do alvará para funcionamento. Secretarias municipais e estaduais também atuam na fiscalização.
Quanto custa
O trio do Chiclete está avaliado hoje em R$5 milhões, segundo informações de Paulo Alves. “O nosso trio não é terceirizado e teve que fazer um investimento muito alto e como só quem toca é a banda ele acaba se tornando um trio caro. O Chiclete gastou cerca de R$ 3,5 milhões só para fazer o carro. O caminhão completo, com toda aparelhagem de som e iluminação, está avaliado em R$5 milhões”, confirma.
O trio do Chiclete está avaliado hoje em R$5 milhões, segundo informações de Paulo Alves. “O nosso trio não é terceirizado e teve que fazer um investimento muito alto e como só quem toca é a banda ele acaba se tornando um trio caro. O Chiclete gastou cerca de R$ 3,5 milhões só para fazer o carro. O caminhão completo, com toda aparelhagem de som e iluminação, está avaliado em R$5 milhões”, confirma.
De acordo com Cláudia Mantovane assessora do Grupo MB Produções, empresa que construiu o trio que leva Ivete Sangalo para os circuitos de Salvador, o Demolidor 3, que saiu com a cantora em 2009, teve um custo de R$2,5 milhões. Mas o trio sofreu modificações para esse ano e teve a maior parte de sua estrutura substituída por alumínio para tornar o trio mais leve. Esses valores justificam toda tecnologia, materiais e profissionais que montam o palco móvel.
Infraestrutura e manutenção
Cada trio é mais luxuoso que o outro, e na hora de construir ninguém quer economizar no conforto. No Rex há dois camarins, um para Bell Marques, outro para a banda e seis banheiros. Já no Demolidor Y dentro do camarim da musa há armários embutidos, adegas climatizadas, quatro banheiros e um reservatório de água com capacidade para 2.400 litros. Mas como cabe tanta coisa dentro de um espaço tão reduzido? Segundo a assessora do Grupo MB Produções, o trio que embala os foliões de Ivete mede pouco mais de 24 m.
Cada trio é mais luxuoso que o outro, e na hora de construir ninguém quer economizar no conforto. No Rex há dois camarins, um para Bell Marques, outro para a banda e seis banheiros. Já no Demolidor Y dentro do camarim da musa há armários embutidos, adegas climatizadas, quatro banheiros e um reservatório de água com capacidade para 2.400 litros. Mas como cabe tanta coisa dentro de um espaço tão reduzido? Segundo a assessora do Grupo MB Produções, o trio que embala os foliões de Ivete mede pouco mais de 24 m.
E para viajar a outras localidades e se apresentar nas micaretas? Para cair na estrada o trio precisa estar nos padrões das rodovias. Como o Demolidor Y, que é produzido em São Paulo. Montado o veículo chega a medir 6,50m de altura e 6,20m. Porém, para se adequar às regras o engenheiro responsável, Toninho Nunes projetou sistemas hidráulicos e mecânicos que permitem que o trio ’se feche’ e diminua de tamanho. “O tamanho que ele tem não é permitido rodar. Por isso Toninho desenvolveu um sistema que fecha as laterais e quando aberto as caixas de som sobem. Além de itens que só são colocados depois que ele está sendo preparado para algum evento”, diz. O Demolidor demora cerca de quatro horas para montar de desmontar, incluindo o tempo de descarregar a caixa de esgoto de 2700 litros.
Os trios devem ficar em constante monitoramento e fiscalização, já que passam muitos dias, seguidos, operando em circuitos longos e demorados, carregam toneladas de equipamento e dezenas de pessoas. O motorista é uma das peças-chave da equipe que trabalha no veículo. É ele quem verifica se o combustível, freios e óleo estão no ponto.
Para o trio viajar pelo país precisa estar nos padrões e medir entre 4,20m de altura e 3,20 de largura.
Segurança
Antes da beleza é preciso zelar pela segurança do folião que costuma ter muita proximidade com o veículo. Por conta disso, a prefeitura pede, no mínimo, trinta cordeiros para acompanhar o deslocamento do trio e mais trinta seguranças em volta do veículo para fazer proteção preventiva durante as manobras.
Antes da beleza é preciso zelar pela segurança do folião que costuma ter muita proximidade com o veículo. Por conta disso, a prefeitura pede, no mínimo, trinta cordeiros para acompanhar o deslocamento do trio e mais trinta seguranças em volta do veículo para fazer proteção preventiva durante as manobras.
Outros itens são obrigatórios. Uma ART novinha para cada evento, escadas de emergência, com fitas antiderrapantes, para que os foliões que ficam em cima do trio possam ir e vir evitando qualquer tipo de situação insegura. Profissionais da equipe técnica, devidamente treinados, para orientar os convidados na hora de transitar pelo veículo. Extintores de incêndio de CO2 e de H2O em locais estratégicos, indicados pelos bombeiros, como cabine de som, sala de potência, geradores, banheiros, camarins e palco.
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