Já fazia um tempo que eu não me entregava ao ócio. Que não parava um pouco, que não pensava em nada, só observava a vida...Que não me jogava em esteiras ou bancos para contemplar o céu, as árvores, as pessoas...
E eis que estou diante de um flamboyant. Ele está feio, sem vida, suas folhas tão poucas e secas em nenhum momento dão ideia da beleza real daquela árvore no verão. Uma copa vasta, vermelha, florida...De beleza incomparável, cheia de vida!
E posso me comparar ao flamboyant, este feio que parece guardar suas forças para reaparecer no verão imponente e florido. Tudo o que sempre quis foi florescer como ele. Aliás, é essa minha metáfora mais louca e mais sábia! Nunca gostei do outono e muito menos do inverno, o frio é sempre desconfortante. E este ano chegou antes da hora e bastante rigoroso. Às vezes, parece que não vai passar e que não vou suportar. Mas é quando uma força, a minha força surge ainda tímida e me dá ótimas razões para seguir e aguardar o verão, que virá assim que chegar o momento da estação, com seus raios solares que tocarão o meu corpo, me trazendo calor, vida, enfim, uma vastidão de possibilidades, como sempre ocorreu.E aí eu paro para pensar em quanto tenho sucesso.
Os ventos de outono derrubaram as folhas do flamboyant, o inverno chegou e com a chuva, terminou de fragilizá-lo. Mas ele naturalmente tem estrutura para suportar, isso faz parte do seu ciclo, faz parte do renovo que o mantém vivo, por isso as estações do ano...E ainda que com o aquecimento global, essas estações estejam meio que embaralhadas e mais rigorosas, o flamboyant tem forças para sobreviver até o verão, e eu sou assim, como este flamboyant, espero o verão onde irei florescer,onde encontrarei minha paz, num céu lindo azul claro. Mas para isso, preciso primeiro passar por este inverno duro e longo.
Um dos maiores empenhos a minha vida nunca foi angariar riquezas materiais, estas virão por mérito e sucesso um dia, mas o que sempre me empenhei durante toda a vida foi ser feliz sempre. Em tudo o que faço, com uma intensidade tipicamente minha e meus exageros, mas é esta minha meta final. Se saio com amigos, se sozinha em casa vendo vídeos, se brinco com minha cadela, ou vou dar minhas aulas, sempre busco a felicidade e ela está nas coisas simples, para depois compartilhá-la com meu próximo e sei que há quem se contagie com ela. Felicidade é decisão. Decido pois, por ser feliz! Como sempre fui...Meu alento diante das dificuldades e dos sacrifícios de tantas coisas para realizar meus sonhos.
E por fim, posso dizer que para mim ser feliz é florescer como um flamboyant, frase pendurada na parede do meu quarto, primeira visão do dia, meta do resto de todos eles...
Pois é no pequeno conforto de minha casinha que percebo: tenho tudo o que preciso para começar todos os dias!
Florescer como um lindo e belo Flamboyant...
Ana Paula Duarte.


Nenhum comentário:
Postar um comentário