06/04/2011

Conheça como começou a parceria entre Humberto Gessinger e Duca Leindecker


Gessinger conta que conheceu o amigo Duca já há alguns anos. “Ali por 85, eu encontrei na rua um moleque que tocava guitarra. Ele sabia que eu tinha comprado uma Fender Telecaster. Na época, não era fácil descolar instrumentos legais. O menino ficou de passar lá em casa pra conferir a guitarra. Fiquei chocado quando vi ele tocar.Tirou sons da minha guitarra que eu não imaginava que estivessem lá. Tocava demais! Técnica, estilo, emoção e o diabo a quatro. Esse garoto era o Duca Leindecker”, contou.

Muito tempo depois, em 2004, Duca convidou o líder dos Engenheiros do Hawaii para participar do CD/DVD de seu grupo, Cidadão Quem. “Na ocasião tocamos ‘Terra de Gigantes’, uma canção que eu havia escrito e gravado com os Engenheiros. Já em 2007, Duca me pediu uma música para o novo disco da Cidadão Quem. Havia uma da qual eu gostava muito e só não tinha gravado ainda por achar que faltava alguma coisa. Passei para o Duca, que matou a charada escrevendo um novo refrão. A música é ‘A Força do Silêncio’ e está no disco “7”. Agora, com a coincidência da pausa de nossas bandas, partimos para o Pouca Vogal”, disse Gessinger.

O músico explica como surgiu a idéia e como ocorreu o processo de composição de cada música do novo trabalho. “A idéia de ‘Tententender’ me veio num vôo enquanto eu observava a sombra do avião rastejando lá embaixo. Mandei uma demo para o Duca e ele reescreveu a melodia do refrão. ‘Depois da curva e breve’ foi assim: Duca me mandou as músicas e eu escrevi as letras. A primeira fala da esperança de encontrar coisas melhores depois da curva, depois da chuva. Talvez, o amanhã colorido. A segunda é sobre a dificuldade e necessidade de unir firmeza e delicadeza na hora de cair fora. Quando ser bravo é ser breve, hay que endurecer, pero sin perder la ternura. ‘Vôo do besouro’ e ‘Além da máscara’ escrevi as duas sozinho, mas já como duo no horizonte. Dizem que o besouro tem o design menos apropriado para voar. Esta e outras contradições sempre me interessaram. Para além da máscara é que devemos olhar. Além do que é sentido, além do que é sabido. ‘Na paz e na pressão’ Duca escreveu numa dessas horas em que a gente quer gritar ou sussurrar. ‘Pra quem gosta de nós’: um nó nos prende ou nos leva na velocidade de uma milha marítima por hora. Um nó amarra o laço ou o lenço. Eu já tinha escrito há mais tempo, mas só agora cheguei ao arranjo certo. Mistura de viola caipira e guitarra hendrixiana. Pra quem gosta do nó que nos une, Pouca Vogal será um prato cheio”.

O músico explica também como surgiu a música homônima ao projeto. “A canção ‘Pouca Vogal’ escrevi um pouco para explicar o conceito, um pouco para falar da minha ida ao Rio de Janeiro e da volta à PoA. De lambuja, cita Piano Bar (uma canção dos Engenheiros) e homenageia Kleiton & Kledir, que melhor souberam, até hoje, misturar regionalismo gaucho e música pop.

Sobre todo esse processo de criação, Humberto Gessinger diz que o maior sinal de respeito de um artista em relação ao seu público é não pensar nele na hora em que cria. “Eu não quero que os artistas dos quais eu gosto pensem em mim quando criam. Não quero que os políticos nos quais eu voto façam pesquisas pra saber como quero que eles falem e atuem. Fica parecendo um cão perseguindo o próprio rabo. Quero que eles tenham a visão e corram o risco de encontrar ou não quem se interesse por ela. Resumir todas as pessoas que gostam do teu trabalho num estereótipo de ‘fã’ também me parece grosseiro. Cada fã é fã da sua forma, com suas particularidades. Cada um tem seu caminho, sua maneira de passear pela obra. Não gosto que me vejam como produto, por isso não penso neles como consumidores. Obviamente será maravilhoso se todos gostarem de tudo. Se os teatros estiverem todos lotados e as bocas todas sorrindo e pedindo bis. Caso esse mundo ideal não se concretize, estaremos tranqüilos por estar seguindo nossa visão”, finalizou o músico.

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