Ela queria dançar balé, ser modelo e não abria mão de ter um “sono de beleza” durante as manhãs. Durante 16 anos, a menina de sorriso largo e corpo esguio encheu de alegria o bairro Alto do Cruzeiro, em Feira de Santana, a 108 quilômetros de Salvador. Era reconhecida de longe por sua energia cativante. Mas, em 31 de março, o sorriso da estudante Myrella Silva Costa foi interrompido por um tiro.
A menina, que sonhava figurar nas listas dos grandes balés do mundo, entrou para a relação de homicídios da segunda maior cidade da Bahia que, só nos primeiros 90 dias de 2011, registrou 91 homicídios.
A média foi de uma morte por causa violenta por dia na cidade de janeiro até abril, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública da Bahia e do Departamento de Polícia Técnica de Feira de Santana.
A morte de Myrella, último homicídio de março, fechou o ciclo do mais violento mês do primeiro trimestre dos últimos três anos em Feira de Santana. A menina conversava com o primo, Felipe Santos Costa, 16 anos, na porta de casa quando um homem deflagrou mais de 20 disparos. Um total de 15 tiros atingiu Felipe, que conseguiu sobreviver, e apenas um tirou a vida de Myrela que caiu morta sobre a televisão de sua casa.
Tristeza
Avessos aos altos números de homicídios, a família da adolescente lamentou a perda precoce da menina. O pai da vítima, o soldador Jorge Santos Costa, guarda duas memórias antagônicas da sua filha caçula: a cápsula da bala que a matou e um bilhete da menina escrito por ela na noite anterior ao crime.
Avessos aos altos números de homicídios, a família da adolescente lamentou a perda precoce da menina. O pai da vítima, o soldador Jorge Santos Costa, guarda duas memórias antagônicas da sua filha caçula: a cápsula da bala que a matou e um bilhete da menina escrito por ela na noite anterior ao crime.
“Todo dia ela deixava um bilhete preso na minha marmita pedindo R$ 1,50 para lanchar na escola com um beijo para mim. Guardarei isso para sempre, mas infelizmente, tenho nas minhas mãos hoje a bala que matou minha filha”, diz o soldador.
Para a cabeleireira Gesdiene Vilar Ribeiro da Silva, mãe de Myrella, a morte da menina reflete a violência da cidade. “Eu estava no quarto descansando quando ouvi um monte de tiros. Nunca imaginei que fosse perder minha filha”.
As habilidades para as artes de Myrella chamavam atenção. Com as palavras, por exemplo, Moranguinho, como a menina carinhosamente era chamada desde pequena, transmitia recados emocionados para a família. Num dos últimos, Gesdiene, que sofreu com um câncer, recebeu uma carta da filha que dizia: “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, dance, cante, pule, viva”.
Emocionada, ao ler o trecho da carta, a mãe de Myrella desabafou: “É uma tristeza enorme na minha vida não poder mais olhar nos olhos de minha filha. Um tiro numa cidade tão violenta acabou com todos os sonhos de minha menina”, lamenta a cabeleireira. Primo de Myrella, o adolescente Felipe escapou de entrar nas estatísticas dos mortos da cidade. Estudante da 6ª série, o menino, segundo investigações da Policia Civil, foi confundido com um traficante do bairro Barro Vermelho. “Meu filho foi confundido com um bandido e acabou levando 15 tiros. Por um milagre ele escapou da morte”.
EXPLICAÇÕES
Para o titular da 1ª Coordenadoria de Polícia do Interior (Coorpin/Feira de Santana), delegado Fábio Lordelo, a ampliação nos números de homicídios, principalmente em março deste ano, tem a explicação no tráfico. “A ocorrência de homicídios é sazonal. A briga pela disputa dos pontos do tráfico de drogas é a responsável por grande parte das ocorrências de homicídios na cidade”, diz.
Para o titular da 1ª Coordenadoria de Polícia do Interior (Coorpin/Feira de Santana), delegado Fábio Lordelo, a ampliação nos números de homicídios, principalmente em março deste ano, tem a explicação no tráfico. “A ocorrência de homicídios é sazonal. A briga pela disputa dos pontos do tráfico de drogas é a responsável por grande parte das ocorrências de homicídios na cidade”, diz.
O delegado diz que os crimes estão pulverizados em vários pontos de Feira. “Não há um bairro que concentre maior número de homicídios. Por se tratar, em maioria, de casos ligados ao tráfico, eles acontecem de forma pulverizada em diversos pontos da cidade. Mas há alguns bairros como Jorge Américo e Campo Limpo que concentram nossas atenções”.
Lordelo aponta que um dado impressiona e requer mais atenção do aparato policial. “A maioria das vítimas é adolescente. Isso é um reflexo do tráfico de drogas que vitima, principalmente, aqueles que são mais jovens”.
Mortes: Feira bate Subúrbio
Feira de Santana e o Subúrbio Ferroviário de Salvador possuem, aproximadamente, a mesma população, 500 mil habitantes. Mas, em homicídios, a cidade do interior está na frente. Segundo a 5ª Delegacia, em Periperi, no primeiro trimestre do ano foram registrados 45 homicídios na região. Em Feira, foram 91. Funcionários do Departamento de Polícia Técnica da cidade comentam que o livro dos mortos tem atualização constante. “E tudo morte por arma”, contou um deles. Para o titular da 1ª Coordenadoria de Polícia do Interior, delegado Fábio Lordelo, a comparação com o Subúrbio não pode ser feita. “A geografia e as circunstâncias são diferentes. E, quando se trata de homicídios, tudo é muito ágil e mutável”, avalia.Correio da Bahia.
Feira de Santana e o Subúrbio Ferroviário de Salvador possuem, aproximadamente, a mesma população, 500 mil habitantes. Mas, em homicídios, a cidade do interior está na frente. Segundo a 5ª Delegacia, em Periperi, no primeiro trimestre do ano foram registrados 45 homicídios na região. Em Feira, foram 91. Funcionários do Departamento de Polícia Técnica da cidade comentam que o livro dos mortos tem atualização constante. “E tudo morte por arma”, contou um deles. Para o titular da 1ª Coordenadoria de Polícia do Interior, delegado Fábio Lordelo, a comparação com o Subúrbio não pode ser feita. “A geografia e as circunstâncias são diferentes. E, quando se trata de homicídios, tudo é muito ágil e mutável”, avalia.Correio da Bahia.

Nenhum comentário:
Postar um comentário