12/02/2011

Ilê Aiyê elege hoje a mais bela das belas

O bairro da Liberdade será transformado, hoje, em um verdadeiro reino africano. Explica-se: o Ilê Aiyê realiza seu tradicional concurso da Beleza Negra, com a apresentação das 13 candidatas ao título de Deusa do Ébano. A noite começa às 22h, na Senzala do Barro Preto, sede do grupo no Curuzu. Os súditos também serão brindados com shows de Margareth Menezes, Clécia Queiroz e Band’Aiyê. Entre os jurados, a ministra da Igualdade Racial,  Luiza Bairros. Os ingressos custam entre R$ 30 (pista) e R$ 100 (camarote vip).

Candidatas vindas de diversos bairros de Salvador convergem hoje para a Liberdade

A participação da escolhida não fica restrita ao Carnaval. Além de acompanhar o grupo nas apresentações em outros estados e no exterior, a eleita tem uma função simbólica para a comunidade negra, como é esperado de uma verdadeira rainha.
“Acabamos funcionando como um espelho para a nossa sociedade”, diz a atual rainha, a atriz Gisele Matamba, 23, que acabou de voltar do Senegal. Ela também esteve na China, Espanha e França, fazendo apresentações junto ao Ilê e levando a cultura da Bahia para outras partes do mundo.
Nesse concurso, que entra na 32ª edição, a dança e beleza são requisitos básicos para a escolha. Mas não para por aí. É preciso ser engajada na causa pelos direitos da população negra, conhecer a ancestralidade adquirida dos povos vindos da África e a história do Ilê Aiyê. Diferentemente dos concursos de beleza tradicionais, este, obviamente, não valoriza os padrões estéticos dominantes, para os quais a mulher deve ser alta, muito magra, loira e de olhos claros. “A menina que tem o nariz achatado também tem sua beleza e não pode ter vergonha de ser do candomblé”, diz a diretora do Ilê, Arany Santana, 59, que desde 1986 comanda o concurso.
Segundo Arany, as postulantes ao cargo, atualmente, são mais politizadas. “Os tempos são outros, na minha época não tínhamos um Barack Obama”, afirma, sem descartar, entretanto, a necessidade de mais políticas afirmativas.
Este ano, 40 candidatas fizeram a inscrição. Após a etapa inicial, é preciso responder questionários e passar por entrevistas, além de mostrar todos os poderes na área da dança. O veredito final será dado apenas hoje. Afinal, a empatia com o público influencia o resultado.
A manicure Jéssica da Silva, 20, é só ansiedade em sua primeira participação no concurso. Para ela, o concurso valoriza a sensualidade natural da mulher negra, sem nudez ou exposição dos corpos, uma vez que a roupa tradicional da rainha é feita com metros e metros de pano. “Aqui, a perna grossa e o nariz achatado têm vez”, orgulha-se.
O tema de 2011 é Minas Gerais: Símbolo de Resistência Negra. Segundo Vovô do Ilê, o objetivo é mostrar que polos de manutenção da cultura afro-brasileira também existem em outros estados brasileiros. Hoje, na Liberdade, será uma noite de beleza negra, com certeza.

Nenhum comentário: