Por Juca Kfouri
Ao Equador só a vitória interessava, razão pela qual foi para cima do Brasil nem bem o jogo começou.
O Uruguai, ao bater a Argentina por 1 a 0, já estava garantido em Londres-2012, voltando ao Jogos Olímpicos depois de 84 anos, bicampeã olímpico que é a sua Celeste, em 1924/28, exatamente suas únicas participações.
A Argentina, atual bicampeã olímpica, terá a fragílima Colômbia, apenas um pontos ganhos em quatro jogos, na derradeira rodada.
Mas corre o sério risco de não poder lutar pelo tri, na série que Carlitos Tevez iniciou, em Atenas, e Lionel Messi deu sequência, em Pequim.
Uma vitória brasileira contra o Equador permitiria ao time nacional, com Neymar de volta, jogar pelo empate com o Uruguai para garantir a vaga olímpica.
E o Brasil deu sorte.
Aos 7 minutos, Oscar cruzou com perfeição em cobrança de falta e Casemiro, de cabeça, fez 1 a 0.
Dois minutos depois, cara a cara com o goleiro equatoriano, Diego Maurício desperdiçou a chance de ampliar e, provavelmente, liquidar com o jogo.
Mas errou e deu sobrevida do rival, que voltou a jogar melhor e exigiu duas vezes que um defensor brasileiro — primeiro Danilo, depois Saimon — salvasse o empate na linha fatal ainda antes dos 20 minutos de jogo.
Mas, aos 26, pela ponta-esquerda, foi a vez de Lucas perder o segundo gol.
A madrugada seria provavelmente longa e o jogo virou um jogo kamikaze, lá e cá, com o goleiro brasileiro Gabriel também tendo de se virar.
Diego Maurício chegou a marcar, aos 32, ao pegar um rebote do goleiro, mas estava meio pé em impedimento…
Oscar, enfim, jogava bem e o time nacional terminou o primeiro tempo sufocando os equatorianos e merecendo uma vantagem maior.
No intervalo, a situação era a seguinte: Uruguai, com 10 pontos, classificado; Brasil com 9, a um ponto de Londres; Argentina, com 6, precisando vencer a Colômbia, algo aparentemente fácil, e torcer pela derrota brasileira contra o Uruguai.
Então, se o Brasil mantivesse a vantagem, com um empate entre Brasil e Uruguai, o Brasil se classificará , o Uruguai ganhará o título do Sul-Americano e a Argentina, rivalíssima até maior dos uruguaios que dos brasileiros, ficará de fora da Olimpíada.
Mas tinha o segundo tempo.
45 longos minutos.
Caicedo e De Jesus entraram no Equador. De la Cruz foi um dos que saíram, Casares o outro.
Um, dois, três, quatro pratos para os mais infames trocadilhos.
Mas não era hora de brincadeira.
E a seleção brasileira voltou jogando no começo do segundo tempo como havia terminado o primeiro.
Criou tantas chances para fazer 2 a 0 e não aproveitou que começou a dar medo de tomar o de empate, porque enquanto os brasileiros perdiam os gols, os equatorianos vez por outra desciam também com muito perigo e ficavam à beira do 1 a 1, que não resolvia a vida deles, mas obrigava o Brasil a vencer o Uruguai para não depender da fraca Colômbia contra a Argentina.
Ney Franco resolveu, então, tirar William e botar Henrique, aos 19.
Danilo também saiu em seguida e Galhardo o substituiu.
A linha do Equador passou a infernizar a defesa brasileira e Ney Franco fez sua última substituição aos 30, com a entrada de Alan Patrick no lugar de Diego Maurício, tentativa de estancar o sofrimento.
Mas que nada!
Aos 34, à queima-roupa, o goleiro Gabriel salvou a pátria mais uma vez.
Aos 36 foi a vez de De Jesus fazer o milagre, ao chutar para fora na cara do gol, exatamente o mais difícil.
Aos 10 minutos do domingo que vem, contra o Uruguai, repita-se, um pontinho leva a seleção brasileira a Londres.
Ufa!
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